segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A dentista e os dentes de ouro


Da infância lembro os males causados pelo medo do dentista, o que, além das dores, se refletia num sorriso externamente doentio, eu diria, um prato cheio para qualquer prático e uma festa para os diplomados – é interessante dizer, quanto a estes, que em uma das visitas a um consultório dentário, uma odontóloga chegou a diagnosticar a necessidade de três dentes frontais (como se diz no cotidiano, “dentes da frente”) de ouro! – como então seria um sorriso desses? Imagino que seria uma verdadeira “Serra Pelada”!
Nunca me esqueci disto, sem, no entanto, à época, já ter consciência para concluir que muito existia, por parte da dita profissional, o desejo do lucro de maneira mais breve.
As mazelas da imprevidência com os dentes me acompanharam ao logo de minha vida adolescente, mas, felizmente, após quebrar um “da frente”, já fragilizado pelas cáries, numa pelada no campo da “Quinta Velha”, próximo de minha casa, criei, de um a hora para outra, o desejo e a vontade de reparar o tempo perdido, reparação essa que me acompanhou, me acompanha e acompanhará pelos anos sem fim.